De nosso trapiche

Meu pai já acorda com o dia nascendo
Sagaia na mão, no remo vai descendo
Do nosso trapiche ele parte pro rio
Nos braços da água, silêncio e frio

Mamãe me chama com cheiro de café
Diz: “Vai buscar o cacho, o sol ja dê no pé”
Espero o tronco secar, já pego a peconha
Liana firme, raiz que acompanha

[Pré-Refrão]
Minha irmã pequena já pega o paneiro
Corre rindo no mato inteiro
Subo cinco, oito, dez metros no ar
Lá de cima, dá vontade de voar

[Refrão]
É a polpa roxa que alimenta o chão
Do fruto pequeno vem nossa paixão
Com peixe na brasa, farinha no prato
Família reunida, momento exato

É festa do mato, com gosto e saber
Açaí batido, pra gente viver
Cantar com os pássaros, sorrir com a maré
E brindar com o sol, com tucunaré

O cacho é pesado, minha mão quase escapa
Mas o brilho das frutas me faz ter mais garra
Minha irmã lá embaixo grita e dança
É dia de colheita, é dia de esperança

Lá vem papai, sorriso no olhar
Tucunaré grande, pronto pra assar
Mamãe no pilão bate o açaí
Preto, brilhante — cheiro que faz sorrir

[Pré-Refrão]
A lenha acesa, o fogo já canta
O rio espelha nossa alma santa
O tempo parece até congelar
Quando o peixe começa a dourar

[Refrão final]
É a polpa roxa que alimenta o chão
Do fruto pequeno vem nossa paixão
Com peixe na brasa, farinha no prato
Família reunida, momento exato

É festa do mato, com gosto e saber
Açaí batido, pra gente viver
No coração da floresta, a fé
E o sabor do amor… com tucunaré 🎵

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